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Jovem que sumiu em rave na BA diz que teve 'surto' de drogas e que comeu formiga pra sobreviver: 'Perdi controle'
14/06/2017

O jovem Eric Geovane, de 22 anos, que desapareceu após ter um surto durante uma rave no distrito de Vila de Abrantes, na cidade de Camaçari, região metropolitana de Salvador, disse em entrevista ao G1, nesta terça-feira (13), que fez uso de drogas sintéticas durante o evento e que, nos seis dias em que ficou perdido no meio do mato, bebeu água da chuva e se alimentou de frutas e até de formigas para sobreviver.

Na mesma festa, um turista de São Paulo morreu após um mal-estar e outro jovem foi picado por uma jararaca.

Foi a primeira vez que Eric falou com a imprensa após ter sido localizado, na manhã do último sábado (10), desnorteado, em uma fazenda próxima ao local do evento. Eric disse ao G1 que está arrependido de ter usado drogas e de ter desobedecido a mãe, ao ir para a festa sem avisar. O rapaz mora com a família na cidade de Irecê, no norte da Bahia, e foi com amigos para Abrantes, no dia 3 de junho, para participar da rave.

Ele desapareceu no dia seguinte, já no final da festa. Após o sumiço, os familiares do jovem viajaram para Abrantes para ajudar nas buscas. "Eu tenho uma vaga lembrança de como tudo aconteceu. Basicamente, foi aquilo mesmo que meus amigos disseram: eu tive um surto quando estava saindo da festa. Não fiz uso de bebidas alcoólicas, não bebo álcool. Mas, no dia, usei droga sintética e perdi o controle", afirmou.

O jovem disse ter feito uso de grande quantidade de LSD e que, após isso, começou a ter alucinações. Ele não revelou onde conseguiu a droga.

"É uma droga que confunde bastante as pessoas. Depois que usei, eu comecei a acreditar que estava sendo perseguido e por isso saí correndo para o meio da mata. Não costumava usar LSD, que é uma droga recreativa. Já tinha experimentado, mas dessa vez usei muito e fiquei com alucinações, talvez pela proporção. Foi uma dosagem provavelmente grande. O fruto do problema foi essa alucinação que tive de que estava sendo perseguido. Depois, quando retomei a consciência, percebi que foi algo criado por minha cabeça", disse.

Eric afirmou que tinha experiência em fazer trilhas na região da Chapada Diamantina e que isso o ajudou a sobreviver durante os dias que ficou perdido na mata.

"Não foi fácil, não. Mas eu já tinha um certo conhecimento em matas. Tenho conhecimento de técnicas de sobrevivência e, então, sabia o que tinha que fazer para ficar bem. Eu sabia que tinha que beber muito líquido e estava usando um pano para reter água da chuva e beber. Quando não tinha água, eu comia plantas e frutas que têm líquidos, como manga, laranja, limão. Além disso, também cheguei a comer formiga, porque tem fibra. Foi necessário", destaca.

O jovem disse que os piores momentos eram à noite, quando tinha que dormir. "A noite era complicado. Eu precisava improvisar tudo. Dormia sobre folhas e improvisava uma espécie de teto com plantas para me proteger da chuva. A minha única preocupação durante todo esse tempo era me manter vivo. Não pensei que pudesse morrer. Estava a todo momento pensando positivamente porque tinha a certeza de que estavam me procurando", disse.

Eric afirmou que cometeu um erro ao usar drogas e não ter avisado os pais que iria para a festa. "É preciso que os jovens tenham um pouco mais de visão das coisas, que abram o olho porque nem tudo o que te oferecem é bom. Fui desobediente com a minha mãe. Se eu tivesse sido obediente, isso não teria acontecido. Agora, quero que o meu exemplo sirva para outras pessoas. Na vida, a gente aprende pelo amor ou pela dor, e eu aprendi pela dor. Então, é um exemplo que deixo para que outras pessoas não façam o mesmo", destacou.

Após ter sido localizado por populares e resgatado pela polícia, o jovem foi levado para o Hospital Geral de Camaçari, onde ficou quase um dia internado porque estava bastante debilitado. Ele recebeu alta na madrugada de domingo (11) e desde então está em repouso na casa de uma tia em Salvador.

Eric prestou depoimento nesta terça-feira (13) na delegacia de Vila de Abrantes, que apura o caso. A delegada Maria Daniele Monteiro disse que ele falou sobre o surto e sobre como sobreviveu no meio da mata. A delegada não deu detalhes do depoimento, porque, segundo ela, o caso ainda está sendo investigado.

Festa

Na mesma festa, um turista de 34 anos, que era de São Paulo, morreu após passar mal, e outro jovem foi picado por uma cobra.

A morte do turista ocorreu na madrugada de domingo (4). De acordo com a delegada de Abrantes, Maria Daniele Monteiro, o homem chegou a ser socorrido para o Hospital Geral Menandro de Faria, em Lauro de Freitas, por um primo que o acompanhava na festa. Ele sofreu parada respiratória e, mesmo com as tentativas de reanimação, não resistiu.

Ainda conforme a delegada, a vítima apresentava sangramento intenso nas vias respiratórias. O corpo do rapaz foi levado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Salvador e liberado na segunda-feira (5) para Osasco, município de São Paulo.

O organizador da festa, Danilo Nazca Barreto, diz que a festa estava legalizada e que lamenta pelos ocorridos. Ele assegurou, ainda, ter prestado socorro ao turista que morreu após passar mal no evento. De acordo com Danilo, o turista foi atendido por um médico e duas enfermeiras, antes de ser levado para o hospital com a ambulância do evento.

O produtor se apresentou espontaneamente à delegacia na terça (6), onde prestou depoimento para dar esclarecimentos sobre o caso. Danilo disse ainda que, além da equipe encarregada de prestar socorro, o evento contou também com um grupo de seguranças.

O jovem internado após ser picado pela cobra durante o evento também chegou a ser atendido em uma ambulância da festa. A mãe dele diz, no entanto, que houve negligência por parte dos socorristas, por terem liberado o jovem para continuar no evento.

Batizada de "Aurora", a festa eletrônica é realizada todos os anos em propriedade particular de Vila de Abrantes. Essa foi a 15ª edição do evento, que conforme divulgação na rede social oficial, tinha capacidade para receber 4 mil pessoas.

Procurada pelo G1, a Prefeitura de Camaçari informou, por meio de nota, que "os organizadores da festa não pediram qualquer autorização à Secretaria de Serviços Públicos da Prefeitura de Camaçari para realizar o evento, por ter sido organizado em condomínio privado".

Danilo, no entanto, disse que existe um alvará da prefeitura expedido pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (Sedur). O Corpo de Bombeiros informou que o quartel responsável pela região onde a festa ocorreu não foi notificado da realização do evento.

Fonte: G1

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